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terça-feira, 10 de abril de 2012

Oração do Pai


Queria ter mãos de ferro
para mover os trilhos
e com um berro
conter meus filhos.

Quero que você
seja melhor que eu,
que tenha
o que ninguém me deu.

Saiba, que viver não é tão ruim
quando eu disser assim:
"O meu orgulho, de tudo que quis,
é ver você feliz!"
[Johnny Faustino]
 
Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 14:25PM.

Do jeito que doer

Prévia de uma música "Do jeito que doer":

"Quando de novo vou poder
sentar ao seu lado e sorrir?
Quando de novo vou chorando
poder mentir:

Que não dói, não dói,
juro não dói,
nenhum amor em meu peito,

Mais, do que seu jeito
de não me levar no coração" [...]
[Johnny Faustino]
 
Para aquela de sempre.
Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 14:23PM.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Defendo, articulo, acredito... distraio!



 "Defendo o ponto de vista das nuvens,
articulo a ideias da terra
e acredito nos pensamentos do mar.
Mas, me distraio nas ilusões do fogo!
**
I
Quando cinza, pode-se vazar,
quando branco, pode-se encher.
**
II
Sol
céu
folha
pau
pedra
chão.
Árvore.
Árvore aponta para o céu,
mas se firma no chão.
Contanto,
se desconhece 
a medida que cresce.
**
III
Quieto!
- não em silêncio - 
Meu marulho
é incenso salgado.
**
IV
Horas são de ir!
Não
Não
Dança, dança
quando o chiado cruza
a frase descansa..."

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 14:39PM.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Pombo Abatido



"Até amanhã serei alvo,
depois de amanhã serei mira,
para enfim, ser disparo
e de mim ser anteparo.
Não serei salvo!
De quem quer,
que quer,
que me fira."
[Johnny Faustino]

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 14:07PM.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Vontades de Canto




Eu queria ter algo de canto. Dele, aprecio essa capacidade hermética e imaculada de aconchegar o desamparado, de permitir a qualquer um o movimento fetal de se encolher entre suas extremidades. Aprecio sua diligência em, mesmo estando banhado de luz, permanecer sempre sombrio, taciturno. Ele sabe trazer a calada da noite à luz do dia. Sua presteza e compreensão para com a dor alheia, não se equiparam com a do travesseiro, nem com o chuveiro; de longe os superam, por tratar de conservar com nitidez as manchas de lágrimas e montes de poeira, que se desentulham do amargurado. 
O canto é um órgão vivo da casa, a estrutura mais bem elaborada, cujo seu ponto de encontro, em nós, exerce uma atração irresistível, pelo ato inconsciente, de nos estender a sensação de interseção. Falo por mim, obviamente, mas com a propriedade de quem muito usou tal recurso, e dele tudo tem de elogiar! Entretanto, seria eu um caluniador, em deixar de lado o fato de que, o mesmo, também emana alegria. Como quando, por exemplo, no fulgor de um amor desvairado, a cama já não mais limita os amantes, que terminam por se afunilarem nos cantos, pois, esses abrigam os que em seu limiar se estreitam.
Contudo, vejo algo além do canto, o tenho como o oco do mundo. Ao aceita-lo, tão profundo ou raso quanto seu desamparo, mergulha-se nas profundezas ocultas de suas arestas, no afago frio de suas paredes. Sua dimensão de coração, pulsa, dilata, te traga para a intemperança dos pensamentos. Canto é amargura seca, com enxágüe; é desolação segura, com direito a fulga e resgate... Mas no fim, canto é apenas canto, por isso deixe-me para lá, com minhas vontades de canto, pois, poeira é só o que se tira dos olhos. O que entra, é luz.

Licença Creative Commons
O trabalho "Vontades de Canto" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 04:14AM.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

 
"De nós dois não restou nada:
nem rancor, nem respeito,
tão pouco, história acabada,
pois de ainda amar somos suspeitos."
[Johnny Faustino] 
 
Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 13:47PM.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Duas estrofes de uma diva


"Ela é uma diva,
seu amor uma perspectiva,
mas por exigir demasiado empenho,
justamente, não a tenho.

Por essa causa
afirmo uma coisa falsa
e, esse desamor vivo
julgando ser decisivo."
 [Johnny Faustino]
Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 14:48PM.
 
"Nem tudo que olho,
sempre vejo,
sempre toco.
Mas sempre desejo."
[Johnny Faustino] 
 
Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 14:46PM.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Trilogia do Ipê


"Deveriamos ser como o Ipê
a sustentar suas flores amarelas
mesmo contra o céu cinzento."
[Johnny Faustino]



Veja os outros três textos que vem após este, escritos pela Bianca e pelo Francisco.


Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 14:50PM.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tapioca Colorida


Arte de Johnny Faustino

Estamos vivendo dias de glória! Cuidado, essa frase de repente possa ser um equivoco. Brasileiro tem essa característica de: ser que nem baiano recebendo visita, às vezes não tem um puto no bolso, mas ainda sim faz um festão, enche a casa de tapioca e acarajé até não ter vasilhame para guardar tudo, e não satisfeito, deixa o casebre mais colorido que castelo russo. Quando a visita vai embora, sai meio roliço, com um sorriso erguendo as bochechas, dizendo que fulano sabe agradar as pessoas. Tudo bem, essa é a típica hospitalidade do nosso país, e adianto que, não tenho nada contra os baianos. Entretanto, o que vem após quem veio, é aquela ladainha chorosa: vai faltar dinheiro para pagar a água, vão cortar a luz, o telefone ficara uns dois meses pendurado, e bla bla bla. E, quem vai ajudar esse nosso amigo hospitaleiro a costurar os buracos no bolso?
Mas, o buraco é mais em cima, ou melhor, é maior. Nosso querido governo federal está de braços abertos, com pose de Cristo Redentor arregaçando os bolsos para fora, liberando alguns “poucos” bilhões, para o financiamento da Copa de 2014. E o festão baiano invade o coração dos governos, todos ficaram generosos e comovidos com o clima de Copa do Mundo. È lindo de se ver que o montante, pode ultrapassar quase seis vezes o valor destinado a educação no país, creio eu, que se juntássemos o valor dos investimentos feitos em educação, segurança e assistência social; ainda sim não chegaríamos a dois terços, do peixe que a copa está mordendo.
Porém, alguém sussurra:
- O evento será bom para o turismo!
E eu respondo:
- Enquanto ele durar? Sim!
É disso que eu gosto no povo brasileiro, o otimismo, a solidariedade. Todos estão se dedicando, pagando os impostos atrasados, e comprando feito recém casados. Tudo pelo bem maior de engordar os cofres públicos. Enquanto isso, nossos filhos continuam escrevendo português com “z”, e o tráfico de drogas importando livre de impostos. Das três últimas Copas, essa com toda a certeza, será a mais bonita. E assim, quem sabe quando todo o festão baiano se acabar, e os estrangeiros tiverem ido satisfeitos, possamos inaugurar a nova copa do planalto, que ficará nos cofres vazios da nação. A qual, espero que se dê em um sábado, senão não poderei ir, afinal, durante a semana trabalho para pagar a “Copa do Mundo”.




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A obra "Tapioca Colorida" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 12:02PM.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Hey Tempus!

Arte de johnny faustino

Que dias estranhos foram esses. Passaram tão depressa e tumultuados, deixando a impressão de quererem mudar de função. Acho que querem ser promovidos a semanas, e mais tarde a meses, e depois a anos e assim sucessivamente, até alcançarem à posição de séculos, onde poderão descansar. Em tal posição não terão pressa em se cuidar dos detalhes, os acontecimentos poderiam ser melhores trabalhados, e eles – os dias – poderiam ver tudo calmamente. Mas como não o são, e o tempo é criterioso com a mudança de patente, eles ficam por aqui mesmo nos dando carrerões.
E é daí que vem toda a pressa, os dias correm achando que podemos acompanhá-los. Por isso tudo vira correria. Corremos entre os cômodos da casa quando acordamos, corremos pelas ruas, pelas avenidas, corremos nos escritórios, nas fábricas, para comer, trabalhar, dormir, até para se divertir temos pressa (que absurdo!). Tudo fluí mecanicamente como uma lei soberana imposta há milênios, que respiramos sem perceber, mas da qual, reclamamos exaustos ao fim do dia.
O tempo tem estendido os braços sobre a cabeça do mundo, como um Führer, impondo quanto dispomos para isso ou para aquilo. Permitindo-nos chorar quando der, e sermos felizes como pudermos, entre um respiro e outro. E nós concordamos com um resignado: “Hey Tempus!”. E é na resignação que se aceita essa máxima, porque podemos descompor suas regras, pode-se abrir greve redefinindo nossos pensamentos!
Entretanto, como fazer isso? Simples! Façamos uma fogueira para um acampamento, com as folhas dos calendários. Acendamos churrasqueiras com papel de agenda, enquanto comemos sushi com os ponteiros de um relógio. Quando tudo isso estiver feito ai sim, conseguiremos sorrir em câmera lenta, ou observar o pôr-do-sol por um dia inteiro. E teremos aqueles que se quer por mais tempo, por todo aquele em que não foram marcados. E também poderemos ir a lugares sem hora para chegar nem voltar. Afinal, se nos demorarmos ou não, quem ira saber?


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A obra "Hey Tempus!" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 14:59.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Flor de Cera


 Pessoas, esse é um dos últimos textos que escrevi. Ele é o primeiro de uma série, que irão compor uma novela ou romance - não sei qual vai ser o tamanho dele. Mas, o mais interessante, é que o "Flor de cera", será um livro dentro de outro livro, do qual não sabemos o nome, ainda. A idéia desse projeto, é em co-autoria, eu e mais dois amigos que escrevem - o Francisco da "Casa de cronistas" e quem sabe o Rodrigo Ribeiro do blog: "Imagem" - nos uniremos para compor uma história, que ao meu ver, está bem interessante, pois como já disse, trata-se de um livro dentro de outro livro, com três histórias quase distintas se entremeando de vez em quando. Complicado? Nem! Acompanhe e veja no que dá. Enfim, para maiores detalhes fuce os blogs: Casa de cronistas, Imagem e Segundo Coração. Sem mais! abraços e beijos!

"Capítulo I – Sem benção fui.

- Um guia rodoviário! Por favor! – gritei na orelha do homem corpulento e surdo, por detrás do balcão da livraria. O desgraçado me fez repetir a pergunta umas duas vezes, sempre erguendo aquelas sobrancelhas grossas. Pareciam duas taturanas esgarçadas, se movendo sobre seus olhos miúdos de japonês. Assim que o paguei, sai depressa.
            Andei de um lado para o outro, no pátio perto das plataformas. Ora sentava, ora caminhava, estava inquieto. Mas fiquei lá, esperando o ônibus, não sei para onde, entretanto continuei esperando. Minha cabeça doía, era horrível, latejava como uma faca presa no osso. O suor escorria lentamente pelas minhas têmporas, eu tremia embora o dia estivesse amanhecendo limpo, com o sol espalhando-se por todos os lados.
Peguei o guia de dentro da sacola e o abri. Não sabia nem por onde começar a folhea-lo. Comprei sem saber como usar. Havia umas duzentas, não, quatrocentas páginas, se não fossem mais. Creio que eram mais. Todas pareciam iguais: cheias de linhas azuis, pretas e vermelhas; com triângulos, retângulos e contornos para indicar obstáculos ou trajetos. Quem sabe ali estivesse o meu rumo, apenas, sem indicação ou contorno? Revirei aquele livrinho gorducho, o deixei do avesso, até descobrir como me orientar entre suas inúmeras páginas. O que não resolveu nem um pouco. Eu não tinha um destino - talvez até o tivesse, mas desconhecia.
Meti a cabeça entre as pernas, e tive vontade de chorar. Era uma miséria não saber pra onde ir. Fui me encolhendo entre os braços, queria me enfiar pra dentro do peito, e desaparecer desse mundo de avessos.
Tum tum tum. A dor de cabeça aumentando, eu tinha muitas britadeiras trabalhando nos neurônios, eles estavam agitados, tanto que se suicidavam. Afogavam-se na massa cor de merda do meu cérebro. Minha cabeça era igual uma latrina imunda nesse momento, um vaso entupido com um quilo e meio de merda. Eu era o resultado do trabalho do meu intestino...
Tum tum tum. Comprimi as têmporas com a ponta dos dedos, mas a dor insistia, obstruía meus pensamentos. Uma coisa disforme, densa, se projetou daquela massa. Não era uma idéia, nem um devaneio, era uma perseguição. Era um resmungo assombrado pelo meu lapso. Tum tum tum... Essa coisa confusa, enorme e distorcida, saía de dentro da sujeira, era só cara e boca e olhos e orelhas. Tinha a altura de dois guarda-roupas e ocupava toda a minha visão. Gritava. Enquanto gritava, esfregava o indicador na minha cara. Doía. Sua voz doía muito, com a minha dor latejando na cabeça.
- Você é um vagabundo moleque... Porque não vira homem, e vai fazer coisas de homem!? – Tum tum tum... Eu sabia quem era. A coisa disforme se tornou difusa, se aprumou para me engolir com nitidez. Agora, eu sabia de onde vinha aquela cozinha, aquele dedo, aquele rosto. – Não sei mais por que se cria filhos hoje em dia. Eles crescem e não querem te ajudar! Ingrato!
A pressão nos meus miolos era tanta, que não conseguia assimilar os borrões... Mas... Agora era claro... Aquele era meu pai. Esbravejando a todo fuxiqueiro que quisesse ouvir. Ele gritava e se contorcia na nossa cozinha, feito alguém com mordida de cobra.  Tudo porque eu disse querer ser artista. Toquei na ira dele, sua cara achatada ficou em brasa e começou o escândalo. Tum tum tum...
Por entre os dedos, vi um velho de óculos, que se aproximou e sentou ao meu lado no banco. Ficou me fitando com o canto do olho, tinha um olhar dissimulado. Parecia suspeitar de mim. E eu não gostei disso, ele me incomodava. Tum tum tum....meu mau estar crescia, me enjoava, enquanto meu pai me dava azia. Ele continuava lá, berrando. O velho de óculos continuava aqui, me sondando. E eu senti raiva, não, raiva não, eu senti nojo desse velho maldito.
Ele me olhava, enquanto meu pai gritava latente que eu era um imprestável. As recordações se entremearam. As estribeiras se romperam, quando eu fiz silêncio com o olhar avermelhado. Então, ele se enfureceu: “Não fique ai, me olhando com essa cara de bosta!”, em seguida, cerrou os punhos e partiu pra cima de mim. Acertou-me no meio da cara, afundando a ponta do meu nariz. Dei alguns passos para tras, mas estava zonzo e meus olhos lacrimejavam, ainda tentei me agarrar a uma das gavetas da pia, o que espatifou os talheres pelo chão. Nos embolamos no chão, trocando murros e ponta-pés, enquanto minha mãe segurava os cabelos, para não caírem com a força dos gritos. Tum tum tum... Mas, esse cara, sentado do meu lado, parecia saber de tudo, se lhe conta-se algo, ele diria: “Ah! Mas disso já sei, conte-me algo novo!”.
E eu contaria. Diria que o aconteceu depois, foi pior. Bem pior! Eu falaria quase em pranto, que no meio daquele borrão tumultuado, com mãos, pernas, grunhidos e berros. Meu pai envolveu-me nos braços, e prensou meu pescoço no vão do cotovelo. Esperneei pelo chão, com a cabeça espremida contra seu peito. “Pára, pára! Você vai matá-lo!”, e parecia que iria mesmo, meus olhos saltavam para fora, enquanto eu gemia puxando ar. Mas, quando menos esperado, minhas mãos serpentearam sobre uma faca e um impulso instintivo, nada mais do que selvagem, guiou ela por suas costelas, a fiz afundar por sua carne até o cabo encontrar a pele.
Tum tum tum... Era isso, ele sabe. Eu sei que eu fugi, enquanto meu pai arfava sobre a poça do nosso sangue. Eu sei que eu mal tive tempo de pegar a mochila, e correr empapado de sangue pelas ruas. Tum tum tum... Ele sabe que foi justamente por isso, que me levantei do banco, mal conseguindo levar a mochila. Ele sabe que para fugir dos olhares inquisidores,  corri empapado de suor pelas ruas. Sem olhar para trás, bati a porta sem pedir benção, e sem benção fui... Para lugar nenhum."
           
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A obra "Sem beção fui" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 15:30PM.

quinta-feira, 30 de junho de 2011


"Atado nos laços
presos ao vento
eu tento
soltar os passos."

[Johnny Faustino]




Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 10:37AM.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

"Quando orfão de coração,
divorciei da alma
e me juntei a pele."
[Johnny Faustino]


Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 11:39AM.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Fragmento II

Mais um jorro de sentimentalismo, mas é válido por ser da parte "diário" do meu blog:

"E de repente me pego de novo olhando para o passado. Isso é nostálgico! Pois é, sou nostálgico por natureza, e perdido por imposição. O mundo me impõe e se opõe entre o que quero e o que-quero-querer... Quero querer ter vontade. Vontade de fazer isso: de relembrar sem dor, de me sentar por detrás da fumaça lenta de um cigarro, sem chorar pelo que o enfiou nos meus dedos. E quando perceber, já serem seis horas, e depois oito, até chegar à madrugada estalando com o frio, suspirando um silêncio inquieto por sobre os ouvidos. Com essa vontade teria o que quero, tiraria tudo de dentro dos olhos, buscaria do fundo dos lanhos das pálpebras. E deixaria de amar aquela coisa ofuscada e disforme, para amar essa nova coisa definida e maciça.
Relembrar deveria ser olhar para dentro de um aquário, e contemplar o que mergulha em suas águas. Não exigiria que a tocasse, ela pediria para te tocar. Seria comoção conformada. Não umedeceria os olhos, não cansaria o coração; tudo estaria contido no vidro. Assim, eu não iria sentir arrepios de madrugadas alcoólicas. Não enquanto durasse a garrafa de melancolia. Beberia ela inteira até eu desmaiar e ela rolar no tapete. Bebo. Até você chegar. E sei que quando menos a esperar você aparecera. Com um sorriso enorme, abrindo espaço suavemente entre os blocos de fumaça, esfregando as cinzas sob os pés, devagar e altiva. E então, me olhara reluzindo, ao que era antes de não sermos mais. Como longos raios de sol encobrindo a distância, você ofuscaria as sombras deitadas sobre nós... Mas você não vem. Nem mesmo para fazer sombra no vitrô."

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A obra "Fragmento II" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 13:48PM.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Espinhas e espinhos

"Espinhas e espinhos
crescem, ferem.
Entram na alma,
saem na pele." 
[Johnny Faustino]
Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 03:07AM.

domingo, 19 de junho de 2011

Os dias

"Amanheço.
Por pontes tardivas,
anoiteço.
Por vagas madrugadas,
amanheço.

Passo os dias
sem saber quais dias
são horas
fazendo hora.
Quem sabe as quebro,
e mudo o agora?"

[Johnny Faustino]
 Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 23:05PM.

domingo, 12 de junho de 2011

 Arte de Johnny Faustino

"Como pêndulo
com trajeto viciado,
não passo de lá,
nem volto pra cá."

[Johnny Faustino]

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 14:08PM.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mãos nuas e pés descalços

Para Letícia Andrade
"Que tudo que ofereço
É meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo"
(Angela Rô Rô - Amor, meu grande amor)

Eu me perdi, quando te perdi. Eu disse: “Vá, que já não o posso guardar!”. Não podia, realmente não podia. Você era grande demais para caber no meu peito, para circular confortável pelas minhas veias, ou abrir caminho pelos meus poros. O soltei no ar, como quem assopra bolhas por um tubo de caneta. E você saiu dos meus pulmões e se coloriu com o azul do céu, ganhou um arco-íris em seu corpo. Subindo e subindo e subindo. Prolongando a distância que ficava atrás, foi além das árvores, foi além do céu. Foi além de mim, deixando meus dedos esticados, sem os molhar com sua beleza. Você acreditou que eu queria que se fosse, e se foi. Deixou-me pra traz, com o aceno sem resposta. Com a saudade sem solução. Com o amor e a adoração.

- E se minhas mãos fossem as suas, o que você faria? E se meu corpo fosse o seu, o que você faria?

Você me disse. Eu as recolhi em meus dedos, e as vaguei por mim, as fiz descobrirem o que eu conhecia. As deixei permearem meu corpo, até eu me afogar nas conchas perdidas, nos sulcos cansados de suas palmas. Senti você jorrar sobre mim, me encobrir, com seus rios quentes e luminosos. Foi sol, foi lua. Passando pelos meus cabelos, dando cor, fazendo sombra em mim. Deitar-me em você, era deitar sobre nuvens, e ver a candura de sua pele escurecer entre minhas pálpebras. Dormia no teu coração doente. Mas eu seguia tranqüila pisando na terra dos seus olhos, inconsciente, inconsistente.

Penso em você, mas queria que pensar resolvesse a saudade. Percorro o mundo, com o chão devorando meus pés descalços de louca desiludida. Caminho olhando o alto, como se você tivesse alcançado as estrelas, e agora, ficasse me olhando, esperando eu reconhecer teu brilho. Reconheço. Entretanto, sei que não está lá. Porque o derrubei com meus desejos e segui teu rastro, para te amarrar na minha garganta, te afogar na minha saliva. O coloquei onde queria que continuasse... em mim.

Queria que você tivesse parado no telhado, arrebentado na madeira da varanda, e que seus respingos tivessem caído em meus braços. O vento não teria te carregado no colo, até sabe se lá onde. E eu teria te apartado... você teria me apartado. Do desvario, da pressa de não ter medo. Hoje sou sombra da tua sombra. Sou rastro da tua luz. Somos verso de um poema. Agora, você é uma voz ausente de um sonho distante. Ressoando prolongado e ébrio em todos os cantos, amparada pelos móveis ou dispersa pelo vazio, se dissipando em eco. Ela é o que sobrou de você, que me deixava como fumaça suspensa no ar. Como um vaso com flores murchas, se erguendo com o esplendor do amanhecer.

Do pó que sobrou na minha memória, arranco lindas tardes, que parecem mais lindas. As passávamos caminhando entre canteiros de flores, no meio das orquídeas e das samambaias, que despencavam sobre os tijolos à vista, ou então se esticavam da terra, com o ventre colorido, aberto para as nossas pernas. Elas tinham perfumes de cores. Lembro-me, que quando nos deitávamos sobre as folhas de plátanos, ficávamos com os corpos coalhados, de sombras e sois que fugiam pelos vãos dos galhos quase nus das árvores. E se eu recostasse minha nuca em teu peito, podia ver tua brancura espalhada entre as orquídeas coroadas com luz.

Meu Deus! Deve ser por isso que tenho tantas orquídeas em casa! Deve ser por isso que todas são brancas e lhes faltam vasos, são tantas, que meu quintal parece um inverno. È por você que lhes dou água e aparo as raízes podres. Ao menos, elas te devolvem a mim nas tardes quentes, quando as pétalas soltam seu vapor cheiroso. O teu vapor cheiroso! Que fico respirando, com medo que uma brisa o disperse.

- Você é descanso, Amélia! Você é descanso...

Você dizia quase adormecido. Mas era você o meu descanso, eu era só tua cúmplice na solidão. Sempre que você adentrava meu quarto, com as mãos nuas e os pés descalços, recendendo a lembranças. Eu sabia que, apenas devia lhe envolver em meus braços, e cobrir teu ouvido com minha boca úmida. Eu sabia que, deveria lhe apertar contra meu peito, e abençoa-lo nos meneios das minhas pernas. Você se espalhava em meu quarto, lânguido e pálido como a lua, se demorava mais que ela para partir. Sempre procurando por silêncio, e eu lhe dava em resposta. Mesmo quando você partia, eu não me preocupava. Sabia que o balanço do mundo o cativava, e que quando se extenuasse, voltaria para o meu balanço de oceano.

Entretanto, não terei novamente teus lábios trêmulos, nem teus olhos confusos. Sei disso. Por isso, para que as orquídeas empoeiradas não murchem. Para que elas não se ponham, como o crepúsculo na minha memória. Deixarei essa bolha que soprei, entrar em minhas veias. Como bolhas sopradas por uma seringa vazia, você ira circular confortável pelas minhas veias, abrindo espaço pelos meus poros. Irá se colorir no vermelho do meu sangue. Seu corpo terá a minha cor. E eu poderei me deitar na tua cor de nuvem-branca, e a ver escurecer entre as minhas pálpebras. Dormirei no teu coração doente.


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A obra
"Mãos nuas e pés descalços" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

- Esse é o texto que da nome ao livro de contos que estou escrevendo. Espero que gostem. Abraços!

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 15:28PM.

domingo, 17 de abril de 2011

Fragmento I

Um sol morno das sete enxaguando os olhos, algumas gotas – resquícios de chuva – se arrebentam contra o parapeito. Mesas, copos, restos de cervejas e sobras de esperança. Uns silêncios esparsos camuflados em murmúrios vizinhos. No meio tempo, entre uma frase e outra, os chilreares dos pneus dos carros preenchem as lacunas. Embora o silêncio dos nossos olhares não fossem preenchidos por nada além de sentimentos. Restaria ali algo, além do arrastar desses no oco fundo das retinas? Não há palavras, só olhares – que me consomem mansos, lentos, saboreando o meu dissolver na língua, como tem feito com a bebida dos copos, como sua retina tem feito com minha imagem.

Dissolvi. Dissolveu... E penetramos no curso da alma, a seguir pela margem observando em busca do fundo. Debruçamos-nos sobre a beirada, como quem se debruça sobre um lago escuro ansiando a areia sob a água. Entretanto, não a alcançamos nos detivemos na superfície apreciando nossas faces manchadas, sem saber quando mergulharemos para tocar o chão.


Licença Creative Commons
A obra
"Fragmento I" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 18:02PM.

* Texto publicado inicialmente na "Casa de cronistas" por Francisco, em 5 de abril de 2011 às 3:24AM.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O ponto, o céu e o sal


Era um lugar desconhecido, cujo chão feito de sal estendia-se, cândido e plaino, até o limiar do horizonte, onde o céu tempestuoso misturava-se ao branco dando-lhe uma tonalidade azulada. Exceto por mim, o céu encrespado e o chão rígido; não havia nada ali, absolutamente nada, sequer um ponto, no qual eu pudesse mirar meu destino, para mais tarde alcança-lo e dizer: “Eis aqui o ponto ao qual cheguei.” Mas simplesmente não existia mais nada lá, além disso. O chão, o céu, e eu.

A única coisa passível de ser ouvida ao meu redor, era o arrastar suave de meus pés sobre os grãos ásperos, que preenchiam as saliências dos meus dedos, sendo esfarelados com o roçar entre os mesmos. Embora se visse ao longe, enormes relâmpagos sobreporem às nuvens carregadas, nenhum som timbrava em meus ouvidos, além daquele emitido por meus passos, os outros ruídos se manifestavam silenciosos, caindo no mais insondável abismo, do qual, não poderiam me alcançar.

Por muito tempo caminhei assim, ao acaso, sem ter perspectiva de chegada ou partida, apenas, contemplando a linha uniforme prolongada ante a minha visão. Sobre essa linha pude enxergar as nuvens sendo dissolvidas, pelo precipitar de uma chuva tempestuosa, que não tardaria a me alcançar. E alcançou. Veio tão veloz quanto um furacão. Caia torrencial sobre minhas costas, me dardejava com gotas grossas arrebentando-se contra minha cabeça, de onde escorriam apressadas pelo resto do corpo. Enquanto inundava os poros de minha pele, o silêncio angustiante acentuava a tormenta que perfurava minha alma. Eu não estava em paz.

A tempestade persistiu por muito tempo sobre mim, e eu persisti por muito tempo sob ela. Até o momento em que encontrei um ponto, ao qual pudesse mirar meu destino. Quando o avistei, era apenas uma mancha, um borrão por detrás da cortina liquida, mas com o meu avançar abri espaço entre as colunas de água, e o borrão disforme, tornou-se uma casa, uma pequena casa de madeira, que desfalecia sob o peso do céu desaguando. Busquei com veemência a porta, e entrei.

Em seu interior havia uma ausência enorme de luz, era como fechar os olhos e senti-los abertos. Pude definir algumas frestas na parede, por onde vazava a luz dos relâmpagos, de quando em quando, com pequenos jorros de água. Todo o casebre tremia, o vento forte e os baques mudos dos trovões o chacoalhavam do teto até o assoalho. Permaneci imóvel, diante da porta, por um longo tempo, não sei ao certo quanto, mas o suficiente para saber que além do cômodo no qual estava, havia mais um. E com um pouco mais de tempo, notei quadros pendurados por toda sala, de uma porta a outra, distribuídos por todas as paredes. Dei alguns passos na direção oposta, rumo à porta do quarto contíguo. O espiei, e lá também havia quadros por todos os lados. Espremi as pálpebras, aproveitei a primeira claridade, e enxerguei minha vida exposta naqueles retratos, eram memórias esvaziadas da minha cabeça enchendo meus olhos. Reconheci minhas lembranças, e elas me reconheceram. Olhavam-me felinas e frias, dissimulando compaixão. As fitei atônito, pasmo, confuso, louco; as observei com sensações. Porém, o intervir de meus olhos turvos, angustiou meus “eus” emoldurados, que entreabriram os lábios, para exprimirem seus gritos, seus arfares, seus gemidos. Encolhi-me ensurdecido pelo tumulto de todos aqueles sons dispersos, que com tal força me derrubaram ao chão, por todo aquele tempo, indefinido, ao qual fui subjugado não pude pensar em nada, entretanto, o caos abriu espaço à tranqüilidade, graças a uma voz sussurrada que rompeu delicadamente a surdez:

- Contemplai teu passado! Contemple-o, faça-o humos para a terra que enraizará árvore forte, assim, não essas, mas outras dores a derrubarão. Terás uma terra fértil para as alegrias, e estéril às mazelas, para que nenhuma semente apodreça sem se ter extraído sua essência. – era uma voz familiar ecoando do nada, após um longo tempo a reconheci minha, e após um tempo maior ainda compreendi o significado carregado nessas poucas palavras.

E o contemplei na mansidão que se fez, na chuva e nos ventos apaziguados, nos retratos, agora mais sinceros. Em tudo, desde que tudo se tornara inofensivo. E ali, naquele casebre no meio do nada, por horas, relembrei cenas, reencontrei caminhos, até meus olhos se cansarem, até meu corpo se entregar ao chão molhado, e meu pensamento parar de transitar por aqueles quadros, lentamente adormeci. Ao acordar, encontrava-me embrulhado em meus lençóis, na mesma cama em que dormia todas as noites e acordava todos os dias. Confuso, mas em paz.

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"O ponto, o céu e o sal" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

* Texto publicado no blog Casa de Cronistas por Francisco, no dia 02/02/2011.
Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 18:59PM.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Acrofobia

Mais uma pedra de gelo batendo na lateral do copo. Mais um gole, para escorrer goela abaixo, para lubrificar o nó que não desata. Olhou, desatento, a porta que não parava fechada, havia gente entrando e saindo daquele boteco, o tempo todo, sem dar descanso aos olhos sonolentos. Mais um gole para umedecer o rosto fino fixado na memória. De vez em quando passava a mão na barba rala, ou ajeitava os cabelos armados. Tudo estava justo, tudo estava confuso, mas estava certo, havia de ser assim, ficar só, entalhando outro nome na madeira do balcão de um boteco. Esperava que alguém o dissesse o que fazer, ou que o mandasse parar ao menos.

Sem saber exatamente onde encaixar o “não” adocicado, que despencara daquela boca, já intima a um longo tempo. Aquela boca que percorreu seu peito, que acompanhou o roçar das coxas, o embaraço dos cabelos; aquela boca que ferveu sua pele em muitas noites. Mas, apesar de tudo, aquela boca que o recebeu alegre e disse um dia que o amou. Ele sabe bem que as coisas são assim, o que sobra é os dedos, as digitais, os arranhões e as mordidas, os borrões no colarinho da camisa com um botão perdido.

Whisky molhando imagens, calando pensamentos. Em um esforço para amenizar a dor na cabeça, apertou os indicadores contra as têmporas, espremendo os olhos. Molhou os lábios, a língua dela os margeou. Ajeitou o cabelo atrás da nuca com os afagos da mão dela. Olhou ao redor apreensivo, desconfiado. O mundo rodava lento e ruidoso. Começou a conjeturar nos sorrisos, olhares, vozes e cenas; sentiu-se no centro do tumulto, daqueles rostos que preenchiam espaços no bar; transformando-o em um grande cinzeiro, engolido por fumaça, os cigarros embaçavam a zoada das vozes. Em meio aquela confusão rodopiando em sua cabeça, ele ouvia vozes, que lembravam a dela, sentiu sua mão macia percorrer-lhe o corpo. Diante de todo alvoroço dentro de si, deixou escapar um berro em negação.

Quis ir embora. Então, levantou-se do balcão jogando o dinheiro ao lado do copo e foi saindo às pressas, entretanto, esbarrou na quina de uma mesa, caindo ao chão, e ainda derrubando um a bebida sobre o colo da ocupante da mesma.

- Ah, seu imprestável! Olha por onde anda! – pôs-se ela em pé, abanando a camiseta e gritando furiosa.

Uma cena recente escalou o poço de seus olhos. Voltaram diante deles, aquela mesma frase, aquele mesmo tom, e aquela mesma raiva em outro rosto. Tão logo, viu-se atracado aquilo novamente, com toda essa desordem tomando o norte de suas ações. A sua volta uma multidão de olhos e de bocas risonhas e sarcásticas. Todos eram um borrão na sua retina, todos eram o borrão do seu colarinho. Algumas pessoas tentaram levanta-lo, foram repelidas, seu corpo sentiu naquelas mãos as outras mãos, as delicadas que o incendiavam.

Alcançou a porta assim que pode, ganhou a rua, mas não se livrou de sua sombra, que continuou rodopiando em sua mente. Seguiu pelas calçadas com o chão ondulando sob os pés, apoiando-se nas paredes, nos muros, nas vitrines. Esquivando-se dos carros, foi-se enjoado, inquieto, pelo curso das ruas. Com a boca seca, estremecendo de raiva e amor.

Parou diante de um elevado. Apoiou as costas na proteção, observou passível, a rua iluminada com a sombra do sol esbarrando nos edifícios, logo seria a lua. O pavor aguçava o cambalear das nuvens no horizonte. Suas pernas trêmulas pensavam em andar um pouco mais. Recolheu o suor das faces com as mãos frias, olhando para os dois lados da calçada. Afrouxou o nó da gravata, e saltou sobre a proteção, suas pernas balançaram mais, sua espinha congelada sincronizou-se com o horror nos olhos. A distância não o permitia ver aonde acabaria a queda, a vertigem foi se prolongando rapidamente.

Respirou fundo e jogou-se.

- Merda! – praguejou aos prantos, com a bunda plantada na calçada – Ela tinha razão! Nem para me matar presto!


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"Acrofobia" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 19:25.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O presente que o futuro me dará

Para Mayara Bailo
"Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal..."
(Só Hoje - Jota Quest)

Ainda espero o presente que o futuro me dará, e sei que ele virá através dos seus olhos! Acredito nessa promessa sussurrada em algumas conversas surdas que travo com o tempo no silencio da escuridão do meu quarto. Minha certeza se faz fruto dos seus acertos, das suas adivinhações distraídas, que de tão certeiras me varam o coração um zilhão de vezes sem pedir licença ou desculpas, apenas me fazendo ama-la mais e mais.

Em muitas dessas conversas, peço para que ele me faça pequeno, tão minúsculo quanto um grão de areia, ou um átomo de matéria; só para deslizar para dentro da sua caixinha de felicidades, aquela na qual você guarda todas as coisas boas que pairam suspensas no mundo; e para que mais tarde quando você menos souber de minha existência adormecida, eu possa explodir em milhares de partículas feitas para vibrar cada fibra do seu coração e iluminar cada camada dos seus olhos. Quero me fazer motivo dessas reações e consolo para as desolações, tão certo disso quanto a nossa própria existência.

Às vezes sinto uma súbita vontade de crescer quando ouço você falar sobre o céu e seus sonhos, sua certeza do destino e não do caminho! Então, juro longe de seus ouvidos, apenas nos meus devaneios, que construirei escadas para o céu, pontes para a felicidade, e trens para o infinito; que rumarão vencendo as distâncias do mundo sem paragem, sendo movidos unicamente pela graça de seus desejos, assim como me movem através dos meus dias mais aziagos e tristes, na esperança de que mais tarde venham a se entremear com o descanso de sua presença. E quanto mais eu sei ao certo o quanto esse amor é sincero, mais o sinto largo em minha alma, e assim nem cabendo em mim e nem em seus olhos, ele se propaga amplo e disperso pelo mundo.

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"O presente que o futuro me dará" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 22:09.

- Esse é mais um daqueles textos meus que ficaram trancados na gaveta, e agora ta ai, solto. Espero que gostem. E a data correta desse é 23 de novembro de 2009. Abraços.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vy

Para Letícia Andrade
"Дыши со мной еще один день
Я буду считать часы
Прижми ладонь к груди моей"
(Дыши со мной - Amatory)

Tenho andado muito com você dentro de mim. Antes assim, de outra maneira poderia te perder entre as plataformas rodoviárias, nas multidões dos aeroportos, ou te esquecer sentada em um banco de praça. Carregando-a do lado de fora poderia ir-se embora, até mesmo, flutuando dentro de uma bolha de sabão, ou sendo carregada, como lembranças, em um barco de papel por um rio de águas diáfanas a perder-se de vista no horizonte.

São essas minhas crises de existência, que fazem eu te guardar dentro de mim, ou no mel dos teus olhos observadores, que me enxergam como quem vê a lua diante de si não crendo em poder tê-la para sempre. Mas sim, vou estar sempre nos meus suspiros de veleidades ouvidos em silêncio.

Meu Deus, você me faz fissuras, mulher! E vai me trincando por inteiro, palmo a palmo, com a piedade de quem ama sem controle, de alguém que mata cem homens sem ao menos piscar ou pestanejar. Eu apenas não venho compreendendo nada. Nessas minhas calvices de pensamentos, tenho sentido mais meus sentimentos, eles são mais nítidos que as idéias rachadas no topo confuso da minha cabeça. Tenho te procurado mais nas línguas novas que conheci, e nos corpos que apertei em meus braços, mas só você, apenas você, foi quem estreitei em meu coração, tentando dar-lhe casa e cobertor. Tentando ser eu mesmo em um mundo que pede farsas.

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"Vy" de Johnny Barbosa Faustino foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Publicado por Johnny Barbosa Faustino às 12:46PM.

- Esse texto já fora escrito a um bom tempo, só o terminei e postei. A data correta dele é 25 de março de 2010 às 2:21 AM
. Abraços.